terça-feira, 1 de setembro de 2009

Confins do Mundo

Idas e vindas...

Me levam a caminhos agora conhecidos,

Mas impenetráveis,

Ainda há muita chuva,

Ainda há muita curva,

Ainda há fragmentos de raios solares

Que teimam em atravessar toda carga elétrica que nos une,

Trazendo também fragmentos de uma possível ponta de ânimo

Que por hora alimenta minha inanição,

Subnutrição,

Indigestão,

Depressão,

Rasgando minha carne

E derramando todo meu sangue pela sarjeta,

Que conduz a um terreno viscoso e fedentino,

Parecido de onde estive há cinco minutos

E que teimo em voltar.

Idas e vindas...

Que nunca finda,

Me trazem um misto de

Satisfação e desespero,

Alegria e desprezo,

E pelo que vejo,

Não represo o sentimento,

Deixo-o fluir a contento,

Com um pensamento que outrora

Me imaginava nesse templo,

Onde o teto é de vidro

E que pode se quebrar amanhã.

Fora do Berço

Fora do berço o bebê é só,

Chora inebriado,

Avassalado sob a imensidão do mundo a sua volta

E sem muita anedota

Chora de soluçar.

O medo,

Efeito sem placebo,

Aterroriza pela falta do colo.

Fora do berço,

O bebê imagina

E se fascina

Com o que pode ter após aquela porta,

E com a perna ainda torta,

Engatinha para frente.

Talvez me dê mal,

Mas posso me dar bem

E sem muito desdém,

A segunda opção vem como oração,

Fincada no coração daquele jovem recém chegado

Que cai e levanta sem discussão,

Mas não teme sua imaginação.

Travessia

Quantos dias ardendo nesse deserto de pedra,

Sem sombra nem água

Só zomba e mágoa

Me assolam pelo caminho.

O moinho não produz o ninho,

Virou cruz,

E ando à esmo,

À deriva,

Tropeçando nas pedras por onde passo,

Mas não me calço,

Nem me disfarço,

Sigo reto aceitando a jornada,

Já que depois da invernada,

O verão nos acaricia,

Trazendo a alegria

De dias em calmaria.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sem imaginar o contrário

O sentido e a obrigação de parar

Serve para resgatar

Aquilo que nunca se soube que era importante,

Aquilo que vaga a mente

Com idas e vindas,

Vindas e idas

E vagamente teimam em permanecer.

O parar trás um turbilhão de lembranças

Que serão úteis de agora em diante

E jamais esquecidos.

Trás muitas respostas e confirmações

De exclamações duvidáveis.

Parei...

Não porque quis,

Assim o fizeram,

Assim quiseram,

É assim que funciona,

É essa a regra e todos estão inclusos,

Pois parar...

Sem imaginar o contrário

É o mal necessário.

Ele, nós e vós

No princípio era o verbo

Que fazia as pessoas

Serem o que desejavam,

Serem quem queriam ser,

Serem a promessa.

No presente é o verbo

Que revela sua posição

E unção no meio em que vive,

Revela-se cruel ou amável,

Depende da forma como se vê.

Bem mais na frente é o verbo

Que contará a história

Daquele que sofreu em nome da verdade,

Sem recursos e poucos amigos

E que por aqui não acabe

A gana de verbos recitados e profanados

Emaranhados entre sujeito e predicado,

Onde nunca houve pecado.

Ponto Pronto

Pensamento longe,

Idéias na cabeça,

Nada que me enlouqueça,

Nem engrandeça,

Permaneça a deriva,

Nesse mar sem saída,

Não consigo esperar a solução do dilema,

Mas a espera é o exercício da prudência e maturidade,

Nada como avançar a idade

E perceber que pequenos movimentos

Causam grandes conseqüências

E as vezes irreversíveis.

Talvez na espera,

Que me apodera,

Exista mais resposta que pergunta,

É como manteiga que unta a fôrma

Para o bolo não grudar

E atrapalhar o paladar,

Existem mais respostas a encontrar

E minha espera pode ainda durar,

Mas a chuva está acabando

E um pequeno raio de sol me ilumina,

Vindo de trás da colina,

É o prenuncio que tudo vai mudar.