sexta-feira, 2 de abril de 2010

Maus relatos

Nos relatos que abrigam meu coração,

Provavelmente meus pés têm a visão

Do que é essencial a ser visto

E meus olhos em meu interior correm,

A procura do que pulsa.

Desapego e dependência sem clemência

Rasgam os relatos

Há tanto escritos

E o sopro finaliza os vestígios

Ora juntados pelos pés

Que agora não vêem

E pelos olhos que agora não correm

E só recorrem aos relatos

Que abrigam meu coração.

Tudo passa?

Está tudo conforme estatutado foi,

O mais difícil escolhido,

Mesmo conhecendo o mais brando,

O amigo do bem pouco faz,

Ou lento demais,

Passo certo para si,

Para que se arriscar se posso rir?

Nada dizem os jornais,

A energia subiu,

A feira diminuiu,

A oferta acabou,

O carnaval chegou,

O dia passa,

A noite vem,

O céu escurece

E a maré não enche.

Encontrar

Amigos que a vida me trouxe

Como se não fosse,

Não muito fácil lhes vejo,

Apenas no festejo.

A convivência de outrora

Toda hora,

Hoje é virtual,

Nova dinâmica já enraizada no folclore mundial.

Euforia,

Diversão,

União,

Comemoração,

Intensidade

E mocidade

Agora é lembrança

Que definiu a formação desse

Que entende a vontade de um novo encontro

E repetição daqueles dias,

Mas sem nostalgia,

O que me deixa longe dessa alegria

É a certeza de um dia

Estar novamente frente a frente

Com aqueles que o mundo me deram

E também entregam a vontade de viver.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tendo a gratidão

Pessoas queridas são como uma brisa,

Passam por nós trazendo alívio

Do calor,

Do mal tempo,

Do suor impregnado na camisa,

E do nada se vão

Como a maré que seca

E um pássaro que desaparece no horizonte revelando sua imensidão.

Pessoas queridas deixam a lição,

Aquela que carrego no coração e que nunca se vão,

É como a luz de um lampião sempre acesa na escuridão,

Alumiando a noite bela

Que nela se esconde muitos perigos,

Mas sua forte luz incandesce a mazela.

Pessoas queridas alimentam minha ilusão.

Eu não sei fazer as coisas que faço

Eu não sei andar, mas eu ando,

Eu não sei cantar, mas eu canto,

Eu não sei tocar, mas eu toco,

Eu não sei falar, mas eu falo,

Eu não sei fazer nada, mas mesmo assim faço,

Eu não sei escrever, mas escrevo,

Eu não sei lutar, mas eu luto,

Eu não sei para onde vou, mas sigo firme em frente,

Eu não sei a hora de parar, então prefiro descansar,

Eu não sei fazer nada, mas mesmo assim faço,

Eu não sei fazer as coisas que faço, mas faço,

Eu não sei sonhar, mas sonho,

Eu não sei viajar, mas viajo,

Eu não sei beber, mas bebo,

Eu não sei fazer nada, mas mesmo assim faço,

Eu sei acordar, mas prefiro me manter dormindo,

Prefiro não interromper o sonho,

Nele estou no topo,

Nele consigo ser eu,

Nele o juiz morreu.

Ninguém sabe nada...

Ninguém sabe nada...

Todo jardim floresce

O jardim floresce a cada primavera,

O dia amanhece anunciando a nova era,

A lua espia desapercebida a maré secando na hora da partida,

A caneca vazia representa a agonia da solidão ou a alegria do novo dia.

Se o mundo girar ao contrário voltamos ao começo,

Mas se girar no sentido horário,

Como num calendário,

Também chegamos no começo,

Que no primeiro momento desconheço,

Mas que percebo assim que ingerir o placebo,

Que me entorpece todo dia,

Fantasiando minha emoção, tristeza e alegria, paixão e compaixão,

Até perceber que a cada primavera todo jardim floresce.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Confins do Mundo

Idas e vindas...

Me levam a caminhos agora conhecidos,

Mas impenetráveis,

Ainda há muita chuva,

Ainda há muita curva,

Ainda há fragmentos de raios solares

Que teimam em atravessar toda carga elétrica que nos une,

Trazendo também fragmentos de uma possível ponta de ânimo

Que por hora alimenta minha inanição,

Subnutrição,

Indigestão,

Depressão,

Rasgando minha carne

E derramando todo meu sangue pela sarjeta,

Que conduz a um terreno viscoso e fedentino,

Parecido de onde estive há cinco minutos

E que teimo em voltar.

Idas e vindas...

Que nunca finda,

Me trazem um misto de

Satisfação e desespero,

Alegria e desprezo,

E pelo que vejo,

Não represo o sentimento,

Deixo-o fluir a contento,

Com um pensamento que outrora

Me imaginava nesse templo,

Onde o teto é de vidro

E que pode se quebrar amanhã.

Fora do Berço

Fora do berço o bebê é só,

Chora inebriado,

Avassalado sob a imensidão do mundo a sua volta

E sem muita anedota

Chora de soluçar.

O medo,

Efeito sem placebo,

Aterroriza pela falta do colo.

Fora do berço,

O bebê imagina

E se fascina

Com o que pode ter após aquela porta,

E com a perna ainda torta,

Engatinha para frente.

Talvez me dê mal,

Mas posso me dar bem

E sem muito desdém,

A segunda opção vem como oração,

Fincada no coração daquele jovem recém chegado

Que cai e levanta sem discussão,

Mas não teme sua imaginação.

Travessia

Quantos dias ardendo nesse deserto de pedra,

Sem sombra nem água

Só zomba e mágoa

Me assolam pelo caminho.

O moinho não produz o ninho,

Virou cruz,

E ando à esmo,

À deriva,

Tropeçando nas pedras por onde passo,

Mas não me calço,

Nem me disfarço,

Sigo reto aceitando a jornada,

Já que depois da invernada,

O verão nos acaricia,

Trazendo a alegria

De dias em calmaria.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sem imaginar o contrário

O sentido e a obrigação de parar

Serve para resgatar

Aquilo que nunca se soube que era importante,

Aquilo que vaga a mente

Com idas e vindas,

Vindas e idas

E vagamente teimam em permanecer.

O parar trás um turbilhão de lembranças

Que serão úteis de agora em diante

E jamais esquecidos.

Trás muitas respostas e confirmações

De exclamações duvidáveis.

Parei...

Não porque quis,

Assim o fizeram,

Assim quiseram,

É assim que funciona,

É essa a regra e todos estão inclusos,

Pois parar...

Sem imaginar o contrário

É o mal necessário.

Ele, nós e vós

No princípio era o verbo

Que fazia as pessoas

Serem o que desejavam,

Serem quem queriam ser,

Serem a promessa.

No presente é o verbo

Que revela sua posição

E unção no meio em que vive,

Revela-se cruel ou amável,

Depende da forma como se vê.

Bem mais na frente é o verbo

Que contará a história

Daquele que sofreu em nome da verdade,

Sem recursos e poucos amigos

E que por aqui não acabe

A gana de verbos recitados e profanados

Emaranhados entre sujeito e predicado,

Onde nunca houve pecado.

Ponto Pronto

Pensamento longe,

Idéias na cabeça,

Nada que me enlouqueça,

Nem engrandeça,

Permaneça a deriva,

Nesse mar sem saída,

Não consigo esperar a solução do dilema,

Mas a espera é o exercício da prudência e maturidade,

Nada como avançar a idade

E perceber que pequenos movimentos

Causam grandes conseqüências

E as vezes irreversíveis.

Talvez na espera,

Que me apodera,

Exista mais resposta que pergunta,

É como manteiga que unta a fôrma

Para o bolo não grudar

E atrapalhar o paladar,

Existem mais respostas a encontrar

E minha espera pode ainda durar,

Mas a chuva está acabando

E um pequeno raio de sol me ilumina,

Vindo de trás da colina,

É o prenuncio que tudo vai mudar.